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Cineluna

Insurgente e a nova queridinha de Hollywood

Por: Bruno Desouzart

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Cinéfilos de plantão, e baladeiros em noite de folga, boa noite. Acabo de chegar de mais uma sala 3D, onde puder conferir o segundo filme da “nova” franquia de sucesso, líder de bilheteria nos EUA, e que já faturou 54 milhões desde sua estreia: Insurgente – Série Divergente. Esta continuação pode ser considerada uma mistura com um que de “matrix”, e a também franquia de sucesso, “Jogos Vorazes”. Mas dessa vez, o filme não separou histórias paralelas para ilustrar o ambiente de ficção futurista pós-apocalíptico baseado no livro de “Veronica Roth”. A trama acertadamente girou em torno da protagonista.

A personagem “Tris”, vivida pela nova queridinha de “Hollywood”, Shailene Woodley, recebe maior destaque como um símbolo da revolução dos cidadãos perseguidos por um governo e um sistema controlador que divide a sociedade em facções (Qualquer semelhança com “Katniss Everdeen”, símbolo de revolução em Jogos Vorazes é mera coincidência). Este cenário que exclui qualquer tipo de pessoa que não se enquadre nos padrões destas facções, é também o que caça aqueles que se enquadram em mais de uma, ali chamados, Divergentes.

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No primeiro filme, mais didático, Tris apenas descobrira seu lugar como pessoa nesta sociedade. Em Insurgente, ela se mostra uma personagem que alterna momentos de heroína, de valentia, que toma a iniciativa, que mostra revolta pela morte dos pais, com momentos de uma adolescente com medo, que não aceita sua condição, e que acha não ter lugar no mundo por ser diferente. Por ser minoria. É a perfeita personificação do adolescente do século 21. A questão das minorias de quem não se enquadra em padrões sociais/estéticos da vida real também está explicito na história, e na personagem.

O filme é carregado por efeitos especiais muito bem explorados, que lembram até algumas das missões do personagem “Neo” dentro da “Matrix”. As cidades em ruínas reforçam essa ideia. As sequências de ação finalmente quebram aquela velha máxima do gênero, que tradicionalmente mostra heróis masculinos, com as mocinhas indefesas que se apaixonam por eles. Desta vez, a heroína da trama dá um banho em seu caso de amor, o também revolucionário “Quatro”, vivido por “Theo James”, que deixou muito a desejar na atuação.

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E isso em meio à um elenco que trouxe “Octavia Spencer”, que mesmo com uma curta participação, deu uma aula, que deixa um gostinho de quero mais, e faz o espectador “torcer” para que ela volte do próximo filme da série. Quem também apareceu na trama foi “Naomi Watts”, que fez o papel de uma líder revolucionária dos “sem facção”. Caiu-lhe bem. Só faltou mais espaço para engrossar a personagem. E teve ainda “Ansel Elgort”, que fez par romântico com “Shailene Woodley” em “A culpa é das estrelas”, e aqui vive o ambíguo irmão de Tris.

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Mas quem realmente não deve ter ficado muito à vontade na trama foi “Kate Winslet”, que novamente deu vida, se é que podemos chamar assim, à vilã “Jeanine”. Este é um caso clássico de um grande nome, muito mal aproveitado na história. Nem a própria vilã convence muito como tal. Quase não dá pra sentir raiva da personagem. “Jeanine” é um retrato do conteúdo, ou falta dele, na construção dos personagens. Os diálogos do filme foram muito superficiais. Um festival de clichês que da a clara impressão de que o diretor “Robert Schwentke” perdeu grande oportunidade de dar mais identidade e profundidade à cada um deles.

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Mas o filme é bem melhor que o primeiro. É claro que quem leu o livro vai sentir falta de muita coisa. Principalmente da construção dos personagens, como já disse. Mas é um “Blockbuster pipoca”, cheio de efeitos especiais e visuais, com ação o tempo todo, daqueles que valem a ida ao cinema pra conferir.